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quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Geraldo Maia - Mestiçagem




Mestiçagem
Composição de Antônio Nóbrega

Uma negra com um branco
Vi casar na camarinha,
Um branco com uma índia
Vi casar lá na matinha,
Um negro com uma índia
Vi casar na capelinha.

Um negro com uma negra
Vi casar atrás do muro,
Um branco com uma branca
Vi casar lá no escuro,
Um índio com uma índia
Casaram em porto seguro.

Eu vi nascer um mulato
Do casal da camarinha,
Vi nascer um memeluco
Do casal lá da matinha,
Eu vi nascer um cafuso
Do casal da capelinha.

Eu vi nascer um crioulo
Do casal de atrás do muro,
Eu vi nascer um mazombo
Do casal lá do escuro,
Eu vi nascer outro índio
Do casal porto seguro.

Uma mulata moleca
Vi casar com um japonês,
Uma catita cafuza
Com um sírio-libanês,
Crioulo com alemoa
Vejo casar todo mês.

Me casei com uma mestiça
Eu mestiço por inteiro,
Tivemos muitos mestiços
Cada vez mais verdadeiros,
Cada vez mais misturados,
Cada vez mais brasileiros.

Fonte

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Tenda dos Milagres


Livro objeto para elaboração das nossas pesquisas.


Um breve Resumo:

Tenda dos milagres narra às proezas dos amores de Pedro Arcanjo, mestiço, pobre, bedel da faculdade de medicina da Bahia, que se converte em estudioso apaixonado de sua gente, publica vários livros que relata o sincretismo genético e cultural do povo baiano.
De leitor autoditada Pedro Arcanjo se ascende à posição de autor cujos livros são referencia no combate ao racismo e a repressão à cultura afro-brasileira (candomblé). Ao delatar abertamente tais temas cai sob a mira da elite “branqueada” da Bahia. É perseguido, perde o emprego. Teve muitos amores, muitos filhos e nenhuma mãe de seus jamais reivindicou tal paternidade, o que pra elas era com um orgulho ter um herdeiro de Arcanjo. Apenas uma lhe deu o filho pra criar, mas na condição de padrinho.
Amigo inseparável de Lídio Corró, (riscador de milagres e proprietário) da Tenda dos milagres (casa de espetáculos, artes, dança, circo, teatro e cinema) Lídio Corró perde a Tenda e Arcanjo fica sem teto, morando de favores, cada vez mais perseguido pela aristocracia, começa a decadência pessoal e financeira. Levando uma vida desregrada e boêmia é assolado pela enfermidade que lhe custa a vida. E um silencio se forma em torno de sua obra.
Após sua morte sua obra renasce graças ao interesse de um cientista norte americano chamado James D. Levenson, pessoa ligada a movimento progressista e manifestações contra a guerra. Interessara-se pelas obras de Arcanjo e vem ao Brasil especialmente para sentir a terra e o povo de quem tanto arcanjo escrevera. É só depois do interesse que Levenson devotara às obras de Pedro é que a figura de Arcanjo vai renascendo e despertando o interesse em outros tantos (políticos e aristocratas) do erudito, passa para o popular, chegando a ser disputado por algumas entidades a homenagem a lhes ser prestada, como o desfile da escola de samba filhos do tororó, homenagem no carnaval da Bahia.

Uma leitura do romance Tenda dos Milagres

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